terça-feira, 25 de novembro de 2008

Sim. Eu levo café na cama todos os dias para a meu namorido. Pode parecer a coisa mais besta do mundo, e talvez seja. Aliás, nossos amigos tentam entender isso até hoje. “Como, depois de anos, agora dividindo obrigações e contas, ela ainda te leva café na cama?”, perguntam, atônitas, quando meu amor, todo orgulhoso e com um tom quase de desdém, diz numa mesa de bar que é acordada com beijinhos e café na cama todo santo dia.
É claro que por algum tempo o café na cama vira o assunto da mesa. Uns olham com ar angelical e dizem “Ai, que fofo!”, outros são mais práticos e começam a discorrer sobre o tempo que se perde na produção de uma refeição matinal. E, naturalmente, uma onda de lembranças vem à mente de muita gente.
“Ah, bons tempos em que a Fulana trazia meu café na cama” é a frase mais recorrente. Diante dos inúmeros questionamentos que ouço sobre os motivos que me levam a ainda fazer isso todos os dias, em geral respondo apenas que faço porque gosto. Mas hoje me peguei pensando sobre esse meu café na cama e os motivos que me fazem, todos os dias, acordar, levantar, preparar o café-da-manhã e levar numa bandeja tudo o que imagino que ele vá querer comer naquele dia. E depois de muito pensar, vou finalmente dar a verdadeira resposta sobre essa questão.
Longe de ser a boa moça ou a mulherzinha submissa que talvez possam imaginar, levo café na cama todos os dias para meu amor por necessidade. Isso mesmo, pela mais pura e absoluta necessidade. É claro que no início o café na cama ajudava a conquistar, demonstrava carinho (especialmente em se tratando de alguém que não possui nenhum outro talento na cozinha, como eu). Mas, com o passar do tempo, levar o café na cama para ele também assumiu as vezes de hábito. Notem que eu disse hábito e não obrigação. Para mim, tornou-se algo como vestir uma roupa ou tomar banho. E aí vocês devem estar se perguntando: e onde está a necessidade nisso? Porque qualquer um enxerga a necessidade de se vestir e tomar banho, mas levar café na cama...? Que necessidade é essa?
Vou explicar melhor. Trabalho aproximadamente sete horas por dia. Em média, fico longas doze horas fora de casa. Isso sem contar os outros tantos eventos que ocorrem à noite e nos fins de semana. A partir de agora as coisas vão começar a fazer sentido. Tenho necessidade de ter um tempinho só meu com a meu namorido. Tenho necessidade de dividir minha vida com ele, de dar exclusividade por pelo menos uma hora ao homem que atura minhas esquisitices faça chuva ou faça sol.
Vocês podem não acreditar, mas é aquele beijo sonolento, aquela corrida pra fazer o xixi que ficou guardado a noite toda, aquela preguiça dele em levantar que me fazem acreditar que terei um bom dia. São aqueles olhos semi-abertos e ainda inchados de uma noite bem dormida e o abraço do corpo dele ainda quente do edredom que me fazem renovar as energias para mais um dia.
Tudo bem, vocês devem estar se perguntando o que isso tem a ver com o fato de eu levar o café na cama. E eu digo o seguinte: encontrei no café-da-manhã um jeito de dizer ele, todos os dias, o quanto o amo. Certamente existem milhões de outras maneiras de fazê-lo e todas, claro, são sempre muito bem-vindas. O que não dá é pra deixar o tempo passar, esquecer os carinhos diários e esperar que a pessoa que vive ao seu lado mantenha a mesma paixão.
Por isso, longe de querer dar aulas de como manter quem ama, quero apenas que vocês, parem e reflitam um pouco sobre o que estão fazendo para garantir o amor de seus pares. Porque eu e a meu amorzão já estabelecemos para nós o café na cama nosso de cada dia.

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