segunda-feira, 13 de outubro de 2008


Talvez já não tenha nenhuma dimensão das palavras que disse. Mas durante todo esse tempo, todas as palavras foram verdadeiras porque ele é assim. De carne e osso, tem um coração que por tempo integral tenta ser de pedra, mas pulsa tão forte que meu coração possa ouvir.
Entre brincadeiras, tapas e risadas sempre deixa escapar algo que eu sempre preciso ouvir. Algo que me move não sei em que proporção, mas me deixa melhor, VIVA!
Eu posso ser o que eu quiser, mas ele me vê e sabe exatamente como sou. Ele tenta ser de tudo, mas eu sempre soube a sua verdade. Ele realmente é um homem forte, a melhor indole que já conheci. Mas ele vai precisar sempre de mim, como eu não quero ficar sem as frases secas ou sentimentais que ele sempre diz.
NUNCA senti isso na vida, nunca o silencio e as palavras me consumiram tanto. Eu vejo nele a minha vida inteira passar e por mais que não são ditas, sei que todos os nossos planos e moinhos serão interligados.
AMOR DE TODAS AS MINHAS VIDAS, não sei se a morte é maior que a vida, nem que qualquer outra coisa, mas seu que o nosso amor é maior que tudo. Se existe alguém que sabe me domar como ninguém, e me deixar sem ou com chão, é ELE! Mu coração se torna capaz de parar e bater ao mesmo tempo! INEXPLICAVEL, não?!
Me abrace agora.
Case-se comigo?!
;D

Sorriiiiiiiiiiiir, até a barriga doer!
É ele que me faz esquecer que existe um mundo muito melhor além de tudo que pode machucar, e me arranca tudo que pode ferir e me deixa só coisas boas, maravilhosas!
Eu poderia dizer dele, sobre a pessoa que ele é, durante tempos mas não é necessário. Essas coisas eu guardo só para mim, até porque o encanto magnífico que ele tem, embora ele possa nem saber, só eu posso enxergar por entre qualquer dimensão.
Sempre soube que seria para sempre, precisamos um do outro para que possamos alcançar algo que há dentro de nós. E eu passaria minha vida inteira no seu colo rindo das suas piadas sem graça e tentando te morder, porque eu sou muito, mas muito feliz quando estou ao seu lado!
E não são so seus beijos que me aquecem, mas a sua presença por si só, tem a luz radiante bem maior do que qualquer raio de sol. Não preciso entender, eu só sei que da forma que for, eu quero você para sempre na minha vida! Implicando, rindo, mordendo, falando coisas sem nenhum sentido e até falando a mesma coisa no mesmo instante, mas comigo!
Há algumas coisas que não são fáceis de se entender, ou mesmo de poder enxergar.
Mas você sabe, que ninguém vai te amar, e ter tanta paciencia com suas mudanças de humor e amar ainda mais como eu. Porque o que você tem, só eu sei.
Quero para sempre!

quinta-feira, 9 de outubro de 2008

É o sonho de toda garota em vias de transformar-se em mulher: dormir junto com o seu Romeu. Talvez ela nem tenha encontrado o príncipe ainda, mas já sonha em dividir lençóis com ele. Um homem seu a noite inteira, os dois protegidos por quatro paredes. Nada daquela pressa de motel, daquele cenário impessoal, daquele castigo de ter que sair de madrugada para voltar para a casa dos pais. Nada de barraca de camping, aquele desconforto, aqueles insetos todos que não foram convidados. Nada de cochilos na rede, de romance dentro do carro, de rapidinhas no meio do mato. Isto faz parte do anedotário da adolescência, quando estamos a ponto de bala e tudo vale. Bom mesmo é dormir juntos numa aconchegante cama de casal, com direito a oito horas de sono e intimidade.
Case e verá. Dividir o mesmo colchão tem vantagens, evidente, e não apenas aquelas que você está pensando. É ótimo enfiar os pés no meio das pernas do outro, principalmente quando está fazendo 2 graus lá fora. É ótimo quando ele levanta para tomar água e traz um copo pra você também. É ótimo ter alguém para pedir que investigue que barulho estranho foi aquele na sala. É ótimo ter alguém para abraçar sem segundas intenções, sem erotismo, só pelo carinho, só pelo calor. Pena que não seja sempre assim.
O amor é cego mas não é surdo: seu príncipe ronca. Você não ronca, mas fala dormindo. O silêncio exigido depois das 22 horas é quebrado por grunhidos, relinchos, ruídos cavernosos. Ou confissões desencontradas, gritos de pesadelo, nomes que não deveriam ser ditos. Vocês acham que fazem muito escândalo acordados, mas é quando entram no mundo dos sonhos que o fuzuê começa.
Se não é o ronco que tira o humor do casal, é o termostato. Ela quer três cobertores assim que entra março. Ele admite uma colcha quando está nevando. Ela dorme de pijama, meias e uma caixa de Kleenex na cabeceira. Ele entra na cama como veio ao mundo e liga o ar-condicionado na potência máxima, não importa a estação do ano. Apaixonados de dia, arquiinimigos de madrugada.
Ele quer a janela aberta, ela trancafiada. Ele quer as cobertas soltas, ela gosta de tudo bem preso na cama. Ele quer três travesseiros de pluma só para ele, ela dorme sem nenhum porque tem problema de coluna. Ele tem o sono leve, acorda quando ela espirra. Ela tem o sono pesado, não acorda com o alarme de incêndio. Ele se vira a noite inteira, ela se mexe tanto quanto um cadáver. Ele gosta de ver o Amaury Jr. na cama, ela gosta de ler. Ele deixa as meias que usou o dia inteiro jogadas no chão do quarto, ela coloca duas gotas de Chanel número 5 depois de escovar os dentes. Ela é Marylin, ele é Maguila, e quando não estão transando, sonham com uma cama king size, até que dois quartos os separem.
Quanto tempo a gente perde na vida? Se somarmos todos os minutos jogados fora, perdemos anos inteiros. Depois de nascer, a gente demora pra falar, demora pra caminhar, aí mais tarde demora pra entender certas coisas, demora pra dar o braço a torcer. Viramos adolescentes teimosos e dramáticos. Levamos um século para aceitar o fim de uma relação, e outro século para abrir a guarda para um novo amor, e já adultos demoramos para dizer a alguém o que sentimos, demoramos para perdoar um amigo, demoramos para tomar uma decisão. Até que um dia a gente faz aniversário. 37 anos. Ou 41. Talvez 48. Uma idade qualquer que esteja no meio do trajeto. E a gente descobre que o tempo não pode continuar sendo desperdiçado. Fazendo uma analogia com o futebol, é como se a gente estivesse com o jogo empatado no segundo tempo e ainda se desse ao luxo de atrasar a bola pro goleiro ou fazer tabelas desnecessárias. Que esbanjamento. Não falta muito pro jogo acabar. É preciso encontrar logo o caminho do gol.
Sem muita frescura, sem muito desgaste, sem muito discurso. Tudo o que a gente quer, depois de uma certa idade, é ir direto ao assunto. Excetuando-se no sexo, onde a rapidez não é louvada, pra todo o resto é melhor atalhar. E isso a gente só alcança com alguma vivência e maturidade.
Pessoas experientes já não cozinham em fogo brando, não esperam sentados, não ficam dando voltas e voltas, não necessitam percorrer todos os estágios. Queimam etapas. Não desperdiçam mais nada.
Uma pessoa é sempre bruta com você? Não é obrigatório conviver com ela.
O cara está enrolando muito? Beije-o primeiro.
A resposta do emprego ainda não veio? Procure outro enquanto espera.
Paciência só para o que importa de verdade. Paciência para ver a tarde cair. Paciência para sorver um cálice de vinho. Paciência para a música e para os livros. Paciência para escutar um amigo. Paciência para aquilo que vale nossa dedicação. Pra enrolação, atalho
Garoto de Recados
Você conhece o tipo. É aquele que nunca diz diretamente o que sente por você. Os olhos dele transmitem desejo, os braços a seguram com firmeza, mas verbo, que é bom, não rola. Será que ele nunca vai se abrir, nunca vai falar? Menina, ele deixa um monte de pistas, você que não se dá conta.
Tem gente que, por não ter nascido com o dom da oratória e muito menos com vocação pra poeta, pede palavras emprestadas para dizer o que sente. Emprestadas de onde? Das músicas que gosta. Dos livros que dá de presente. Dos filmes que vive comentando. Está tudo ali, você que não presta atenção.
O que ele sente está na página 27 do livro do Borges que ele fez questão que você lesse. Aquele trecho de uma carta do Caio Fernando Abreu, que está sublinhado à caneta, não narra justamente o que vocês viveram no final de semana passado? E adivinhe por que o cara fez questão de levar você para ver aquele filme francês que ele já viu sozinho duas vezes. Adivinhe. Ele está inteiro naquela cena do casal dentro do metrô. É tudo o que ele gostaria de falar pra você, mas diz assim, através de terceiros.
O e-mail dele vem cheio de citações, ele vive cantarolando sempre a mesma música, até a camiseta que ele veste tem uma frase em inglês que você tem preguiça de traduzir. Traduza. Ele está falando com você.
Ele não diz nada de autoria própria, teme ficar solene, apavora-se diante das exigências verbais que lhe cobram. Prefere, disparado, as metáforas. É plagiador confesso. Preste atenção na letra, no refrão, na música que ele colocou pra tocar, ele está mandando um recado. Os cineastas, os poetas, os malucos, todos os homens apaixonados do planeta falam por ele, e você não escuta.
Ele quer que você leia os olhos, as mãos, os lábios. Ele não vai optar pelo chavão, pela trivialidade daquele "eu te amo" que você aguarda com impaciência. O idioma dele é outro. Ele silencia para que falem por ele. Atenção para aquele momento em que ele aumentou o som, interesse-se pelo trecho de Proust que ele sempre relê em voz alta, tente captar os versos que ele sabe de cor mas que não são de autoria dele - mas ao mesmo tempo são. Antene-se nos recados, em todas as palavras em que você tropeça e que foram largadas por ele bem no seu caminho, bem por onde você passa. Há mil maneiras de se fazer uma declaração.
Outro dia li um artigo do publicitário Lula Vieira em que ele encerra com a seguinte pergunta: "Existe alguma possibilidade de encontrar vida inteligente em quem se despede dizendo "beijo no coração"?
Fiquei em estado de choque. Que coragem, meu Deus, que coragem. Um dia quero ter esta coragem também, pensei na hora. Porque eu ouço beijo no coração pra lá, beijo no coração pra cá, e também acho piegas, mas nunca ousei afirmar isso em público. Afirmo agora, e a quantidade de desaforos que vou receber não haverá de ser pequena.
Ao mesmo tempo que desgosto dessa expressão, acho uma pena que falar em coração tenha se tornado uma coisa tão antiga. Mas o fato é que tornou-se. Coração dilacerado, coração em pedaços, coração na mão... Sentimos tudo isso, mas a verbalização soa piegas. E no entanto estamos falando dele, do nosso órgão mais vital, do nosso armazenador de emoções, do mais forte opositor do cérebro, este sim, em fase de grande prestígio.
O que está em alta? Inteligência. Raciocínio. Lógica. Perspicácia. Gostamos de pessoas que pensam rápido, que são coerentes, que evoluem, que fazem os outros rirem com suas ironias e comentários espertos. Toda essa eficiência só corre risco de desandar quando entra em cena o inimigo número 1 do cérebro: o coração. É o coração que faz com que uma supermulher independente derrame baldes de lágrimas por causa de uma discussão com o namorado. É o coração que faz com que o empresário que precisa enxugar a folha de pagamento relute em demitir um pai de família. É o coração que faz com que todos os modernos tremam seus queixinhos quando o Faustão põe no ar o quadro Arquivo Confidencial, aquele em que uma pessoa famosa é obrigada a ouvir depoimentos de toda a sua árvore genealógica, incluindo os desafetos e às vezes até os mortos da família.
Eu gostaria que o coração fosse reabilitado, que a simples menção dessa palavra não sugerisse sentimentalismo barato, mas para isso é preciso tratá-lo com o mesmo respeito com que tratamos o cérebro, e com a mesma economia. "Beijo no coração" é over. Voltemos a ser simples. Mandemos beijos e abraços sem determinar onde, quem os receber tratará de sentí-los no local adequado.
Há mulheres de todos os gêneros. Histéricas, batalhadoras, frescas, profissionais, chatas, inteligentes, gostosas, parasitas, sensacionais. Mulheres de origens diversas, de idades várias, mulheres de posses ou de grana curta. Mulheres de tudo quanto é jeito. Mas se eu fosse homem prestaria atenção apenas num quesito: se a mulher é do tipo que puxa pra cima ou se é do tipo que empurra pra baixo.
Dizem que por trás de todo grande homem existe uma grande mulher. Meia-verdade. Ele pode ser grande estando sozinho também. Mas com uma mulher xarope ele não vai chegar a lugar algum.
Mulher que puxa pra cima é mulher que aposta nas decisões do cara, que não fica telefonando pro escritório toda hora, que tem a profissão dela, que o apóia quando ele diz que vai pedir demissão por questões éticas e que confia que vai dar tudo certo.
Mulher que empurra pra baixo é a que põe minhoca na cabeça dele sobre os seus colegas, a que tem acessos de carência bem na hora que ele tem que entrar numa reunião, a que não avaliza nenhuma mudança que ele propõe, a que quer manter tudo como está.
Mulher que puxa pra cima é a que dá uns toques na hora de ele se vestir, a que não perturba com questões menores, a que incentiva o marido a procurar os amigos, a que separa matérias de revista que possam interessá-lo, a que indica livros, a que faz amor com vontade.
Mulher que empurra pra baixo é a que reclama do salário dele, a que não acredita que ele tenha taco pra assumir uma promoção, a que acha que viajar é despesa e não investimento, a que tem ciúmes da secretária.
Mulher que puxa pra cima é a que dá conselhos e não palpite, a que acompanha nas festas e nas roubadas, a que tem bom humor.
Mulher que empurra pra baixo é a que debocha dos defeitos dele em rodinhas de amigos e que não acredita que ele vá mais longe do que já foi.
Se por trás de todo grande homem existe uma grande mulher, então vale o inverso também: por trás de um pequeno homem talvez exista uma mulherzinha de nada.
Na hora de listar as qualidades que a gente quer encontrar nas pessoas com quem iremos nos relacionar vida afora, está lá a indefectível "sensibilidade". A gente quer que o patrão seja sensível e não um grosso. A gente quer que nossa amiga seja sensível e não um trator. A gente quer - e como quer! - que nosso namorado seja sensível e não um machista brucutu.
Encontrar sensibilidade nos outros é meio-caminho andado para o entendimento. E sermos, nós mesmos, sensíveis, também é um filtro bem-vindo, é a sensibilidade que permite nossa comoção diante de um quadro, de uma música, de um amor que nos arrebata ou de uma perda irreversível. Mas admito que sinto uma certa inveja daquelas pessoas que são sensíveis mas não se tornam vítimas da própria emoção. Porque sensibilidade demais esgota a gente.
Tem horas em que o filtro não filtra coisa nenhuma: permite que a gente seja atingido profundamente por coisas que mereceriam menos entrega. Cultivamos mágoas por coisas que nos aconteceram 15 anos atrás, remoemos culpas que já foram mais que perdoadas e esquecidas, temos nosso sistema nervoso totalmente abalado porque alguém compreendeu mal nossas palavras, sofremos por questões insolúveis, sofremos, sofremos, e sofrer dá uma senhora consistência à nossa vida, mas como cansa.
Às vezes me farto dos ideais que persigo e que, por serem ideais, nunca se concretizarão plenamente. A vida é defeituosa, imprevisível, nada é exatamente como a gente gostaria que fosse - e sensibilidade é algo que faz a gente aceitar isso e ser feliz do mesmo jeito. Já sensibilidade demais dá nos nervos e fatiga à toa. Uma certa frieza nos faz andar mais rápido, não nos retém.
Como se mede, se pesa, se percebe a sensibilidade suficiente e a sensibilidade excessiva? No quanto ela joga a nosso favor ou contra. Sensibilidade suficiente refina você, lhe dá um foco na vida. Já a sensibilidade excessiva faz de você protagonista de um dramalhão mexicano. Temos escolha? Não se escolhe, é o que se é. Os que são sensíveis na medida aproveitam a vida sem duras cobranças internas. Já a turma dos excessivos pega canetas, câmeras, pincéis, sapatilhas, instrumentos, e transforma o excesso em arte. Ou faz besteiras. Cada um encontra onde colocar sua sensibilidade, uns com leveza, outros com fartão de si mesmos. Os únicos que seguem não entendendo nada são os insensíveis
Uma amiga me diz que não suporta mais se olhar no espelho. Ela está se achando gorda, feia, desprezível. Antigamente, eu talvez dissesse a ela que está na hora de fazer uma dieta e dar uma ajeitada no visual, mas hoje em dia aconselho outra coisa: está na hora, isso sim, de trocar de espelho.
Ela está apenas um pouco acima do peso ideal, e feia não é de jeito nenhum. É uma mulher inteligente, divertida, bacana. O problema é que está totalmente focada no trabalho, não tem se relacionado com ninguém. Não namora. Não quer nem pensar em seduzir ou ser seduzida, fechou pra balanço. É é justamente este o espelho que está lhe faltando pra ver-se com olhos mais generosos.
A gente se apaixona por si próprio à medida que nos enxergamos através dos olhos dos outros. Isolados numa ilha - ou trancados num apartamento - a tendência é não enxergarmos grandes atrativos em nós. Mesmo sabendo que somos pessoas legais, quem confirma isso? Ok, com a auto-estima em dia, não dependemos tanto assim da apreciação alheia. Mas ninguém consegue manter-se em alta por muito tempo sem comprovar que é amado, gostado. Em suma, desejado.
Todo ser humano necessita despertar desejo. Quando as pessoas nos olham e não nos diferenciam de uma cadeira, a coisa vai mal. Isso acontece muito naquela instituição, como é mesmo o nome? Casamento. Os dois seguem se amando, mas já estão há tanto tempo juntos que não faz mais diferença se a mulher embarangou ou se o marido perdeu os dois dentes da frente: "amo você de qualquer jeito, bem". Ama, sem dúvida. Mas não nos enxerga mais. É aí que mora o perigo. Homens e mulheres precisam de um espelho que lhes diga constantemente o quanto são interessantes e atraentes. Se o espelho rachou em casa e não reflete mais nada, das duas uma: ou a gente se entrega ao desleixo, ou vai buscar reflexos de si mesmo em outro alguém.
Conheço garotas muito mais gordas que minha amiga, e menos bonitas e inteligentes do que ela, mas que não sentem vergonha do próprio corpo, seguem no jogo da vida, ganhando mais do que perdendo. São bem amadas por amigos e namorados, portanto a imagem que têm delas mesmas é menos rigorosa. E acabam se tornando belas de verdade.
Volta e meia, crônicas, romances e poemas terminam com a indefectível frase: "Saudades de mim". Será que eu já escrevi isso alguma vez, que sinto saudades de mim? Devo ter cometido, eu também, esta dramatização barata, somos todos reincidentes nos clichês. Mas, olha, sinceramente, não sinto, não.
Lembro de uma menina que se sentia uma estranha na sala de aula. Que adorava tomar lanche nas Lojas Americanas do centro da cidade. Que ficava esperando ser tirada pra dançar nas reuniões dançantes, e quando acontecia, que êxtase! Na vez em que foi tirada pelo garoto de quem ela era a fim (e ele a apertou mais do que os bons modos permitiam), os pais da menina chegaram justo naquela hora para buscá-la, sua primeira grande frustração. Lembro do primeiro beijo da menina, ela completamente nervosa. Lembro da menina já grande, em seu primeiro estágio, iniciando vida profissional. Lembro da menina agindo como adulta, indo morar fora do país. Lembro da menina voltando, sem resquícios da menina que havia sido. Saudades dela? Afeto por ela. Saudades eu tenho de nada.
Não voltaria um único dia na minha vida, e lembranças boas é o que não me faltam. Não voltaria à infância - mesmo nunca mais tendo sentido tanto orgulho de mim quanto senti no dia em que ganhei minha primeira bicicleta sem rodinhas auxiliares, aos 6 anos, e saí pedalando sem ajuda, já no primeiro minuto, sem quedas no currículo. Não voltaria à adolescência, quando fiz minhas primeiras viagens sozinha com as amigas e aprendi um pouquinho mais sobre quem eu era - e sobre quem eu não era. Não voltaria ao dia em que minhas filhas nasceram, que foram os dias mais felizes da minha vida, de uma felicidade inédita porque dali por diante haveria alguma mutilação na liberdade que eu tanto prezava - mas, por outro lado, experimentaria um amor que eu nem sonhava que podia ser tão intenso. Não voltaria ao dia de ontem - e ontem eu era mais jovem do que hoje, ontem eu era mais romântica do que hoje, ontem eu nem tinha pensado em escrever esta crônica, ontem faz mil anos. Não tenho saudades de mim com menos celulite, não tenho saudades de mim mais sonhadora. Não voltaria no tempo para consertar meus erros, não voltaria para a inocência que eu tinha - e tenho ainda. Terei saudades da ingenuidade que nunca perdi? Não tenho saudades nem de um minuto atrás. Tudo o que eu fui prossegue em mim.
"IVE LIVED A LIFE THAT'S FULL/I'VE traveled each and every highway/But more, much more than this/I've lived it my way".
Este é um verso de "My way", canção que foi imortalizada por Frank Sinatra e que também foi gravada pelo Sex Pistols e por Nina Hagen. É a história de um cara que viajou, amou, riu e chorou como todo mundo, mas fez isso do jeito dele. Numa sociedade cada vez mais padronizada, esta letra deveria virar hino nacional.
Abro revistas e encontro fórmulas prontas de comportamento: como ser feliz no casamento, como ter uma trajetória de sucesso, como manter-se jovem. Resolve-se a questão com meia dúzia de conselhos rápidos. Para ser feliz no casamento, todo mundo deve reinventar a relação diariamente. Para ter uma trajetória de sucesso, todo mundo deve ser comunicativo e saber inglês. Para manter-se jovem, todo mundo deve parar de fumar e beber. Todo mundo quem, cara pálida?
Todo mundo é um conceito abstrato, uma generalização. Ninguém pode saber o que é melhor para cada um . Fórmulas e tendências servem apenas como sinalizadores de comportamento, mas para conquistar satisfação pessoal pra valer, só vivendo do jeito que a gente acha que deve, estejamos ou não enquadrados no que se convencionou chamar "normal". O casamento é a instituição mais visada pelas "fórmulas que servem para todos". Na verdade, todos convivem com o casamento desde a infância. Nossos pais são ou foram casados, e por isso acreditamos saber na prática o que funciona e o que não funciona. Só que a prática era deles, não nossa. A gente apenas testemunhou, e bem caladinhos. Ainda assim, a maioria dos noivos diz "sim" diante do padre já com um roteiro esquematizado na cabeça, sabendo exatamente os exemplos que pretende reproduzir de seus pais e os exemplos a evitar. Porém, não tiveram os mesmos pais, e nada é mais diferente do que a família do vizinho. Curto-circuito à vista. É mais fácil imitar, seguir a onda, fazer de um jeito já testado por muitos e, se não der certo, tudo bem, até reações de angústia e desconsolo podem ser macaqueadas, nossas dores e nossos medos muitas vezes são herdados e a gente nem percebe, amamos e sofremos de um jeito universal. Agir como todo mundo é moleza. Bendito descanso pra cabeça: é uma facilidade terem roteirizado a vida por nós. Mas, cedo ou tarde, a conta vem, e geralmente é salgada.
Fazer do seu jeito - amores, moda, horários, viagens, trabalho, ócio - é uma maneira de ficar em paz consigo mesmo e, de lambuja, firmar sua personalidade, destacar-se da paisagem. Claro que não se deve lutar insanamente contra as convenções só por serem convenções - muitas delas nos servem e, se nos servem, nada há de errado com elas. Estão aí para facilitar nossa vida. Mas se não facilitam, outro jeito há de ter. Um jeito próprio de ser alguém, em vez de simplesmente reproduzir os diversos jeitos coletivos de ser mais um.

quarta-feira, 8 de outubro de 2008

Também não sei quando bem quando foi.
Não saberia analisar o momento exato em que eu soube que seríamos para sempre.
Deve ter sido numa dessas vezes em que é final de festa, todos estão um tanto bêbados com a cerveja meio quente e tu ainda estás saboreando a primeira latinha, já quase não ri das coisas que são ditas, envolve o braço esquerdo sobre mim e diz: "Mais vinte minutos e vamos embora". E eu fico esperançado projetando mentalmente que poderemos dormir cerca de sete horas em forma de "conchinha".
Ou pode ser aquele dia em que colocou no prato um grande pedaço de panetone e separou com a destreza de um cirurgião as frutas cristalizadas uma a uma, deixando no canto do prato e quando eu te perguntei o porquê dessa implicância você falou: "Prefiro as frutas vivas". Eu não entendi muito bem, mas me deu um sorriso e nesse momento você me ganhou.
Ou vai ver que foi naquele sábado chuvoso, quando não queríamos por nada do mundo sairmos de casa. Só que daí eu disse: "Vontade de um expresso". E você falou: "E uma fatia de torta, com ovos moles. O que achas?". Eu ainda cogitei dizer que estava tentando cortar os doces, que queria diminuir os carboidratos, mas nesse meio tempo você já estava de pé, colocando o casaco azul turquesa e procurando o guarda-chuva prateado. E eu cedi aos teus encantos e a essa tua doçura incontrolável.
O espelho mostrava o enlace das pernas, quatro pernas que formavam duas aspas abstratas, dois mundos que se encontravam ali.
A imagem refletida deixava transparecer a primeira (e última) possibilidade de amor (amor assim, verdadeiro).
Dentro da concha dormiam (com os olhos cerrados) e sonhavam (com dias bonitos que ainda viveriam).
Escreveriam a sua história em pequenas placas de "néon"...
Diriam sim àquela sensação que deixava as duas nucas quase sempre arrepiadas.

O que me faz num olhar ver correntezas!

te amo!
"Hoje eu sonhei e acordei pensando nele..."

"Embora nos precipitemos adiante para economizar nosso tempo,Nós somos apenas o que sentimos.E eu te amo, você pode sentir isso agora?"
Não importa o que passou, onde paramos, onde erramos... O que importa é que superamos e estamos aqui, sempre juntos...
Não importa quantos amores ou casos tivemos, não importa o que sentimos por cada uma das pessoas que passaram pela nossa vida, o que importa somos nós, o hoje... O agora! Pois acredito eu que tudo que aconteceu, todas a pessoas que passaram por minha vida, foram pontes que me levaram até você! Todos nós somos marcados por pessoas que passaram por nós de alguma forma, seja por uma liçaõ muito boa, ou muito ruim, seja pela sinceridade, pelas risadas, não importa... Marcaram, e foram elas quem me tornaram quem sou... Então deixa de bobeiras, de se magoar por coisas bobas... É com você que quero estar... Só isso, amo você !
Hoje acordei inteira. Migalhas? Pedaços? Não, obrigada. Não gosto de nada que seja metade. Não gosto de meio termo. Gosto dos extremos. Gosto do frio. Gosto do quente (depende do momento.) Gosto dos dedinhos dos pés congelados ou do calor que me faz suar o cabelo. Não gosto do morno. Não gosto de temperatura-ambiente. Na verdade eu quero tudo. Ou quero nada. Por favor, nada de pouco quando o mundo é meu. Não sei sentir em doses homeopáticas. Sempre fui daquelas que falam "eu te amo" primeiro. Sempre fui daquelas que vão embora sem olhar pra trás. Sempre dei a cara à tapa. Sempre preferi o certo ao duvidoso. Quero que se alguém estiver comigo, que esteja. Mesmo que seja só naquele momento. Mesmo que mude de idéia no dia seguinte.
Eu e ele somos as cruzadas da idade média, o Osama e o Tio Sam, o preto e o branco da apartheid, o falcão e o lobo, o Feitiço de Áquila. Seus mistérios me perturbam e minha clareza o ofusca. Tenho fascínio pelo plutão que ele habita, e ele vive intrigada por minha vênus, mas quando eu falo vem, ele entende vai. Enquanto ela avista o mar eu olho pra montanha. Quando um se sente em paz o outro quer a guerra. É preciso me traduzir a cada centímetro do caminho enquanto ele explica que eu também não entendi nada. Discordamos sobre o tempo, o tamanho das ondas, a cor da cadeira. O desacerto é de lascar, e não há cama que resista a tantas reconciliações - um dia a cama cai.
As qualidades podem até variar, existem defeitos que considero indispensáveis.
Meu amor tem de ter uns certos ciúmes, e reclamar quando eu preciso viajar pra longe. Pode se meter com minha roupa, com corte do cabelo, e achar que sou distraída e não sei dirigir. Quando ficar surpreso de eu ter chegado até aqui sem ele, afirmarei sem ironia, que foi mesmo por milagre. Este homem deve querer nosso lar impecável, com flores no jarro, e é imperativo que faça tromba quando não estiver assim. Ele irá me buscar no trabalho e levará direto pra casa, nada de madrugadas na rua! Desejo enfim que meu amor me reprima um pouco, e que me tolha as liberdades.
Could this be the greatest love of all?I belive that yes
Pede mais um trago, acende um cigarro ficaum pouco mais, teu relógio tá louco espera mais um pouco agora tanto faz!
"- É saudade então
E mais uma vez
De você fiz o desenho mais perfeito que se fez:
Os traços copiei do que não aconteceu
As cores que escolhi entre as tintas que inventei
Misturei com a promessa que nós nunca fizemos
De um dia sermos três
Trabalhei com você em luz e sombra"

quarta-feira, 1 de outubro de 2008

Seja bem vindo outubro, e contigo a primavera :)


O branco do inverno cede como uma tela. Ela está vindo, trazendo consigo as cores, para pintar sua aquarela. Aviso às donzelas: é hora de abrir-se em flor, amar e entregar-se sem cautelas nem fronteiras. Acabou o apenas debruçar-se sobre as janelas, a vida que há lá fora tem sede de ser vivida, inteira! Desafios e emoções multicoloridas: vermelhas, azuis, verdes... Violetas e rosas... Roxas e amarelas. Apressem-se, venham, venham! É finda a espera. Vamos lá beijá-la, dar um abraço nela. Com esperança nas mãos e alegria nos lábios. No coração a felicidade mais bela... Seja bem-vinda, Primavera!