terça-feira, 25 de novembro de 2008

Entreguei-me aos deleites da tempestade que me envolvia a pele, os cabelos, a roupa. O vento arredio me fazia ter a sensação de voar. Hoje estive entregue ao vento e a chuva, e o preto da noite e da falta de luz me abraçou como uma mãe que acolhia uma filha desamparada, enquanto o branco dos raios me iluminava a face e ali se escapava um sorriso. Eu sorri, quando te vi. Com toda a mágoa que ainda tinha no peito, quando eu te vi eu sorri. Gargalhei, porque de fato sua presença me és deveras importante. Assim, no preto e branco dos raios e da chuva eu descobri que coisas mundanas são inferiores à simplicidade dos sentimentos. Talvez por maturidade, quando que por raras vezes ao longo dos anos eu tenha sido uma mulher submissa, porém dela não se espera a atitude comum, as decisões tomadas com cautela ou muita paciência. Dela espere o pouco provável e nada previsível. Dela se espera a sinceridade sempre, a falta de vergonha na cara, a coragem. Deixei escapulir de mim a vontade de jogar-me no temporal que assusta, mas ao mesmo tempo fascina e talvez possa ser mal interpretada, conclusões alheias me interessam menos à cada dia, o que realmente me importa é que tua presença me agiganta o espírito e me cura e me faz bem. Por isso diante de todos os acontecimentos que me afastavam de ti, percebi que a força que nos atrai é maior. E quando acordo percebo que são teus braços que me envolvem, a tua barba que me roça e é o teu cheiro que sinto, então sorrio mais uma vez. Hoje compreendi porque desde pequena eu parava frente à janela em dias de chuva. Dela não se pode esperar tristeza por muito tempo, porque ela se encanta com grandes e pequenos feitos...

Nenhum comentário: